domingo, 11 de outubro de 2009

O papel do investimento externo (Projeto Brasil)

25/03/07 02:30

Qual a utilidade do capital financeiro externo para a economia brasileira? Trata-se de questão amplamente discutida, pouco conclusiva devido aos interesses envolvidos.
Imagine uma economia fechada com uma taxa de investimento doméstico equivalente a 20% do PIB, mantido exclusivamente com poupança doméstica. Agora, abre-se a economia. Entram, digamos, 5% do PIB em investimento? Há três maneiras desses recursos serem tratados:
1. O Banco Central não adquire os dólares, há um excedente que provoca uma apreciação do real.
2. O BC adquire os dólares excedentes, injeta dinheiro na economia, mas esteriliza através da colocação de títulos públicos.
3. O BC adquire os dólares excedentes, mas esteriliza apenas parte da moeda emitida.
Repare que, em todas essas alternativas, o livre ingresso de dólares pelo mercado financeiro ou é negativo, ou neutro. Em apenas uma hipótese pode ser positivo: quando o BC deixa de esterilizar todos os reais emitidos para a compra de dólares, e melhora o nível de atividade, pelo aumento da liquidez na economia.
Mas esse movimento independe da entrada de dólares. Corresponde a um aumento de emissão monetária, que pode ser feito por qualquer política monetária autônoma, sem necessariamente ser utilizado para a compra de dólares.
Confira que, nos três casos apresentados, o investimento financeiro externo só aumentou a poupança externa no caso de aumento da emissão monetária – que pode ser feito independentemente de entrada ou não de dólares.
Leia aqui a matéria completa
Sergio Telles

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RE: O papel do investimento externo | 12/06/07 04:34 Enviado como uma resposta para: Message #{1} by {2}.
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O investimento externo só traz vantagens quando, junto com ele, internaliza-se tecnologia capaz de melhorar o saldo da balança comercial de maneira significativa no longo prazo, compensando os custos iniciais e o custo anual de remessas de lucros para o retorno desse investimento. Os investimentos feitos no setor automobilístico trouxeram um retorno razoável, em função de seu efeito multiplicador ao gerar toda uma cadeia produtiva interna, essa sim de investimentos nacionais.

Investimentos externos como os feitos nas privatizações dos setores elétrico e de telecomunicações, foram um tremendo furo do governo anterior, pois são setores de serviços que não geram divisas, pois não exportam nada. O Brasil remete divisas para o exterior e nada é exportado. Simplesmente foi feito pois o Brasil precisava desesperadamente de dólares para sustentar os ataques especulativos que freqüentemente sofria, tanto que as empresas administradas por grupos nacionais andam tão bem - ou até melhor - que as geridas pelos grupos estrangeiros.

A China preocupa-se em permitir investimentos externos em setores exportadores, além de uma série de acordos para que a parte de maior valor agregado (pesquisa e desenvolvimento) tenha participação local também.

Não acho vantajoso que seja atraído capital externo para, por exemplo, investimentos na infra-estrutura brasileira, mesmo que seja para construção de novas ferrovias ou portos. Mesmo sendo vias que possibilitarão o aumento do fluxo comercial externo, ainda assim representará comprometimento futuro em remessas de divisas, o que no momento não é preocupante, mas isso é a maior cilada, podemos ter um momento futuro de escassez que foi tão comum ao nosso país ao longo de sua história.

O capital externo deve ter cláusulas que garantam que a entrada de divisas em virtude desse investimento seja maior que a saída, mesmo a longo prazo. Senão, a gente se vira com capital interno.

http://www.projetobr.com.br/web/guest/publicadorforum/message_boards/message/153

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